Às vezes vivo na superfície de mim mesma.
Bóio sobre minha existência.
Sabe aquela coisa de alma saindo do corpo e se vendo de fora?
É como se eu não estivesse vivendo o que estou vivendo.
É um outro eu. (?)
domingo, 12 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Sair do "algo a dizer", simplesmente dizer.
Nem sempre você vai encontrar as palavras mais bonitas e contundentes para expressar o que sente e pensa.
Muitas vezes você se perde nesse emaranhado de prolixidade e no meio do discurso já não sabe para onde estava indo.
Desejo que seja lindo da forma que for.
Não force a barra, aos poucos você chega lá.
Aqui estou eu, na Barra.
Nem sempre você vai encontrar as palavras mais bonitas e contundentes para expressar o que sente e pensa.
Muitas vezes você se perde nesse emaranhado de prolixidade e no meio do discurso já não sabe para onde estava indo.
Desejo que seja lindo da forma que for.
Não force a barra, aos poucos você chega lá.
Aqui estou eu, na Barra.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
LUIZ TATIT
QUER UMA COISA?
quer uma coisa?
vai lá e pega
já pegou?
então sossega
dá o dedo, quer a mão
dá a mão, quer o braço
dá o braço quer o resto
e vai pegando por costume ou por engano
quando vê, tem um montão de bagatelas
escapando pelas portas e janelas
quando vê, tem pedaços de ele-pê
papéis soltos de dossiê
tem até uma borrachinha de um antigo decavê
quer dar um beijo?
taí sua nêga
já beijou?
agora chega
dá a boca, quer o corpo
dá o corpo quer a alma
dá a alma quer o diabo
e vão nascendo jogos puros e obscenos
quando vê, tem um montão de bocas belas
distribuindo beijos como nas novelas
quando vê, tem boquinhas de morder
tem boquinhas de prazer
tem enfim tantas boquinhas e nem tem o que dizer
hora de pegar
hora de abandonar
hora de ter seu lugar
hora de continuar
quer uma força?
vai lá e chora
ficou forte?
adeus, cai fora
quer uma cor chama os outros
chama os outros tem o dobro
vem o dobro vira festa
e se alastra com dee-jay e sonoplasta
quando vê, tem um montão de tagarelas
incitando as conversas paralelas
quando vê, tem uma rede de tevê
tem convites pra turnê
tem até uma tiete que não vive sem você
hora de pegar
hora de abandonar
hora de ter seu lugar
hora de continuar
quer uma coisa?
vai lá e pega
já pegou?
então sossega
quer dar um beijo?
taí sua nêga
já beijou?
agora chega
quer uma força
vai lá e chora
ficou forte?
adeus, cai fora
adeus, cai fora
adeus, cai fora
LUIZ TATIT
Luiz Tatit é formado como bacharel em Letras (Linguística) pela FFLCH da USP, em 1978, e em Música (Composição) pela ECA da USP, em 1979.
Em 1986 defende na FFLCH a tese de doutorado "Elementos semióticos para uma tipologia da canção popular brasileira". É professor titular do Departamento de Lingüística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
É membro fundador do Grupo RUMO, representante da vanguarda musical paulista da década de 1980. Com o Grupo RUMO, incluindo compactos, Luiz Tatit gravou no total seis discos, relançados em 2004. A partir da década de 1990 segue carreira solo.
Luiz Tatit escreveu a letra da canção Capitu, homenagem ao personagem do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis. Foi gravada por Zélia Duncan e Ná Ozzetti.
Sua canção Achou foi vice-campeã de júri e de público no Festival da TV Cultura, defendida por Ceumar. A canção Show, defendida por Ná Ozzetti no "Festival da Música Brasileira", da TV Globo, deu à cantora o prêmio de "Melhor Intérprete", e o direito a gravar um CD pela Som Livre, que recebeu o mesmo título da canção, Show.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Areia Movediça
Eu soltei a mão. Soltei e parei.
De repente foi ficando tudo escuro e silencioso.
Um oceano em uma madrugada sem Lua.
E pude ouvir meu coração. Pulsava o sangue vermelho, vivo, se espalhando por cada canto do meu corpo. Meus pés e pernas se mexiam com dificuldade, eu não conseguia sair do lugar. Flutuava numa substância densa e viscosa. Um oceano morno. Não conseguia respirar ali.
Como sair dessa areia movediça?
Era a primeira vez que só me restava eu mesma.
De repente foi ficando tudo escuro e silencioso.
Um oceano em uma madrugada sem Lua.
E pude ouvir meu coração. Pulsava o sangue vermelho, vivo, se espalhando por cada canto do meu corpo. Meus pés e pernas se mexiam com dificuldade, eu não conseguia sair do lugar. Flutuava numa substância densa e viscosa. Um oceano morno. Não conseguia respirar ali.
Como sair dessa areia movediça?
Era a primeira vez que só me restava eu mesma.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Dúvida
Pra quê serve a dúvida?
Para o não fazer.
De onde vem a vontade do não fazer?
Muitos podem ser seus motivos. No meu caso é o de não amar.
Eu não amo. Nunca amei ninguém.
No máximo me apaixono pelas possibilidades indicadas pela pessoa na minha vida.
Mas afinal, o que é o amor? (pergunta que não quer calar)
Se é amizade, carinho, cuidado, respeito, admiração, companheirismo, cumplicidade, afeto, compreensão...
Sim! Eu amo.
Mas se o amor está além desses sentimentos mundanos, humanos, voláteis, mutáveis, frágeis, solitários...
Não! Nenhuma de nós nunca amou de verdade.
Se o amor é não ter propriedade nem limite, regras nem juízo. Se amar é ser livre para amar como quiser, sentir o que vier e ter vontade de se ter vontade, então vamos soltar as mãos e voar.
Voar.
Para o não fazer.
De onde vem a vontade do não fazer?
Muitos podem ser seus motivos. No meu caso é o de não amar.
Eu não amo. Nunca amei ninguém.
No máximo me apaixono pelas possibilidades indicadas pela pessoa na minha vida.
Mas afinal, o que é o amor? (pergunta que não quer calar)
Se é amizade, carinho, cuidado, respeito, admiração, companheirismo, cumplicidade, afeto, compreensão...
Sim! Eu amo.
Mas se o amor está além desses sentimentos mundanos, humanos, voláteis, mutáveis, frágeis, solitários...
Não! Nenhuma de nós nunca amou de verdade.
Se o amor é não ter propriedade nem limite, regras nem juízo. Se amar é ser livre para amar como quiser, sentir o que vier e ter vontade de se ter vontade, então vamos soltar as mãos e voar.
Voar.
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