segunda-feira, 13 de julho de 2020

FOI OBRIGATÓRIO ME PERGUNTAR COM QUE PALAVRAS ME COLOCO DIANTE DOS OUTROS E DE MIM MESMA?
Ela foi embora e você age como se ainda estivesse aqui, apegada à ideia do que poderia ter sido. Até quando evocará o poder do passado e o peso das coisas que já existiram? Porque não se liberta das responsabilidades das escolhas e do mistério do caminho não tomado e aproveita a plenitude da sua decisão? 

Seria ótimo se nossos amantes se comportassem da forma como achamos que eles deviam se comportar, e nós pudéssemos nos comportar como bem entendemos, sem que eles se achem no direito de exigir um comportamento por eles estipulado.

Quando perguntas se está tudo bem, porquê ajo estranho, é a tentativa de me manter na superfície, evitando todas as sensações possíveis de serem experimentadas e te poupando de meus respingos lavosos. Não força a barra.

Às vezes vivo na superfície de mim mesma.

Bóio sobre minha existência.

Sabe aquela coisa de alma saindo do corpo e se vendo de fora?

É como se eu não estivesse vivendo o que estou vivendo.

É um outro eu. (?)

Ou são ilusões nebulosas que crio para me fazer crer que não posso ceder às suas tentativas de mudança, quando a realidade nos impõe a efemeridade eterna?

Sempre que tento a auto-análise acabo me auto-sabotando, fato. por exemplo, quando não aceito as constatações de meus maus hábitos. e os chamo de maus não por serem de natureza maléfica, mas por trazerem as tais consequências indesejadas. ah mas eu demoraria uma vida inteira pra reconstruir os maus hábitos que inventei nessa vida até aqui vivida. Como saber qual mal hábito provoca qual consequência? Sabia que depois de descobertos eles se tornam do tamanho que quisermos dar. 

Sinto o tempo passar rasgando as minhas células sem pedir licença. Sem o mínimo de compaixão ou piedade ele age como se nada estivesse fazendo e, na sua fúria serena, só é notado após suas sucessivas investidas contra absolutamente tudo o que encontra à sua frente.

Encontrar uma linha, uma forma mesmo que disforme, de me passar através daqui, de voltar pra onde eu vim, que é pra onde eu vou.

Não me lembro do porquê eu ter saído do caminho. Como quando se pega um atalho que não se conhece, acaba por perder-se e demora mais a chegar onde se queria. Ainda por cima se chega cansada e confusa, sem saber como conseguiu chegar até ali. Onde foi mesmo que o nó se desfez?

Como entrou naquela rua onde deveria estar?

É que não existe a rua onde deveria estar.

O dever ia e o devir vinha.

A lágrima branca escorre pelo pára-choque preto do carro sujo.

No fundo, o azul lilás se funde com o amarelo trigo como a cerveja que o copo esquenta e resfria o corpo cansado de esperar que a boca sedenta venha.

Afrouxar o calo onde o sapato aperta não é opção neste caso.

continue cavando. continue cavando.

QUAL O TAMANHO DA SUA VONTADE?

Eu soltei a mão. Soltei e parei.

De repente foi ficando tudo escuro e silencioso.

Um oceano em uma madrugada sem Lua.

E pude ouvir meu coração. Pulsava o sangue vermelho, vivo, se espalhando por cada canto do meu corpo. Meus pés e pernas se mexiam com dificuldade, eu não conseguia sair do lugar. Flutuava numa substância densa e viscosa. Um oceano morno. Não conseguia respirar ali.

Como sair dessa areia movediça?

Era a primeira vez que só me restava eu mesma.

Movimento contínuo, cíclico, com ordem rítmica e tempo preciso, marcando o compasso no passo do marcapasso. tunt tunt tunt. Dar corda na caixinha que volta a rodar num movimento contínuo, cíclico, com ordem rítmica e tempo preciso, marcando o compasso no passo do marcapasso. tunt tunt tunt.

costurando retalhos,

ralho,

gralho.

É possível se deixar tocar sem se afetar? Sem se perder de si?

Até onde devemos ir no outro? Até onde deixamos entrar?

Desperto para os limites que tentamos construir entre nós.

Você pula meu muro, eu arrombo seu portão e por favor, apague as fitas de segurança.

o contínuo restolhar

sob a ótica proxêmica

não nos garante permanência.

se naïf ou pós modernista

ritmo e poesia na leitura realista

as alegorias folclóricas da passista

são escravas do outro e seu olhar niilista.

não respeita minhas metalepses,

adiante com sua idiossincrasia

minha personalidade furta cor

me permite ser uma a cada dia

E eu assim:

quando de seios inchados,

o peito farto.

Nas variáveis de nós mesmos deixamos escapar o que deveríamos tentar alterar. Há algo em comum nas entrelinhas do desenrolar de nossas vidas que se torna a pedra fundamental de nós mesmos. Ainda que com a constante mudança dos outros e dos sis, a dinâmica se repete, segue sua lógica própria, muito difícil de ser explicadamente compreendida.

Sinto que fica tudo engasgado. Interrompido. Tampa no ralo. Eu vejo a ponta da correntinha da tampa do ralo. Puxa essa corrente, deixa a água escoar. Suja, das sujeiras das minhas mãos, das suas mãos. Nossas sujeiras serão lavadas e levadas pelo ralo. Esse entalado do que não disse. Te amo pelo que você é. Sempre te amarei mas não permito que vaze tal amor desvairado. Amor pelas leviandades dessa dita loucura. Desculpa pra estraçalhar parâmetros, romper com relações mal feitas, insinceras e desgastadas. Bebo em tua loucura e faço deste lugar nossa única viabilidade de existência em um cenário pós-guerra.

E as palavras a escorrer dos meus ouvidos.

Porque tanto tempo nos calando?,

esse guardião travestido de mulher.

acessar com a alma, com verdade, inteira, entregue.

Quem eu sou?, quem fui?, quem serei?

Acreditar nos meus devaneios.

Nessa voz incessante a dizer: - VAI!

Me jogar de cabeça nessa aventura.

Inventar nomes, inventar mundos.

Promover encontros e demonstrar a força contida em cada um deles.

Sair do "algo a dizer", simplesmente dizer.

Nem sempre você vai encontrar as palavras mais bonitas e contundentes para expressar o que sente e pensa.

Muitas vezes você se perde nesse emaranhado de prolixidade e no meio do discurso já não sabe para onde estava indo.

para onde vão os pensamentos que fogem?

para onde vão os pensamentos que fogem?

para onde vão os pensamentos que fogem?


domingo, 12 de julho de 2020

sábado, 11 de julho de 2020

Em ímpetos de protesto, tentativa rebelde de dissolução dessa instiuição neurótica, onde ninguém siscuta, ninguém sifala, ninguém sinxerga, respondo naquela moeda que sempre é a troca vivida nos vai e vens da memória infantil (lizada?). Vivenciamos desde muito cedo o abandono dos anseios da alma, nebulosas das quais nascem os sofrimentos primários, mães e pais de todos os outros sofrimentinhos que percorrerão os dias e as noites. Até agora sigo tentando lavar essa poeira gordurosa que dificulta os sentidos e a percepção dos mundos de dentro e de fora. O perigo de acostumar-se ao abandono é a infalível repetição infinita dessa lógica nos relacionamentos e consigo. AUTUÁBANDONO. Como é mesmo sentir? É preciso trazer às vísceras o que martela as vozes-pensamento.

assombros assobradados



nas casas assombradas
as portas rangem quando se abrem
talvez por isso
algumas nunca sejam abertas
ou quase nunca

fica à espreita, espiando o momento calhar e torcendo que o movimento seja preciso suficiente pro menor ranger possível dessa porta acostumada a esconder assombros evitados a todo custo.
uma vez abertas as portas de onde eles moram haveria que lhes dar nomes, e causas, e porquês e pra ondes.
talvez por isso as portas rangessem tanto

a casa assobradada
ela tem cheiro de pão quentinho
e de grama molhada em dia de chuva,
aquele sonho que todo mundo deve ter,
tem colorido por toda parte e um pouco de bagunça,
sempre

invento casa
invento sótão e porão
inventos as memórias que
constroem meu desejo
e, depois, tento desinventar
o troço fica agarrado aqui na ponta do dedo
ou da língua, sei lá
como o chiclete colado no cabelo
põe gelo, põe gelo
difícil tirar