sábado, 13 de julho de 2024

É PRECISO CONTINUAR

 

    "É PRECISO CONTINUAR", uma obra que explora temas de resiliência, identidade e espiritualidade.

    A obra nasce a partir da reprodução de uma obra da artista Regina Parra - uma instalação em neon da frase de um poema de Álvaro de Campos (Tabacaria), presente também na peça de Samuel Beckett, "O Inominável". Inspirada por Regina, que também tem um trabalho que dialoga com as questões da Mulher, essa colagem analógica sobre papel cartão azul, utilizando recortes de revistas, apresenta uma tapeçaria de símbolos que exploram temas de resiliência, identidade e espiritualidade. A obra logo de cara sugere uma certa profundidade da experiência da mulher no mundo.

    A figura central é uma mulher, guiada pelo amor, uma força estrutural pra sua existência, e que sustenta sua jornada. construindo uma relação entre a força e a resiliência da mulher, destacando tanto os desafios que enfrenta quanto a beleza de sua perseverança. A Flor que a sustenta, seus verdadeiros pés,  fazem essa mulher deslizar com leveza e doçura em sua caminhada pela vida. Esta flor é uma oferenda à Yemanjá, reforçando a conexão com as forças naturais e espirituais que nos guiam.

    Uma faixa rosa atrás da cabeça e uma coroa representada pela joia no chakra coronário indicam a retidão de pensamento a partir dessa conexão espiritual. Esses elementos sugerem que, apesar dos caminhos sinuosos, a personagem mantém clareza e direção, com a luz espiritual guiando seus pensamentos.

    A presença da cidade à noite, com a frase em neon "É PRECISO CONTINUAR, NÃO POSSO CONTINUAR, É PRECISO CONTINUAR, VOU CONTINUAR", traz justamente a complexidade dos contextos sociais enfrentados pela personagem. Não é fácil der MULHER na sociedade. Esta frase paradoxal simboliza a persistência e a luta interna dessa mulher que não pode desistir.

    As curvas na parte inferior da composição representam as imprevisíveis da vida. Estas curvas também evocam as águas do mar, morada de Yemanjá, simbolizando o fluxo contínuo e a adaptabilidade da personagem. Seus pés de flor podem seguir por tantos caminhos...

    Esta obra é uma meditação visual sobre a experiência da mulher, encapsulando tanto sua dor quanto sua força e perseverança. A figura central, guiada pelo amor e apoiada por sua ancestralidade, simboliza a contínua luta por identidade e justiça social. "É PRECISO CONTINUAR" convida o espectador a reconhecer a profundidade da experiência da mulher, suas lutas e vitórias, e a importância de sua resiliência e espiritualidade em sua jornada.

       Mercedes Voluptious, através desta composição rica e multifacetada, nos oferece uma janela para uma narrativa poderosa e introspectiva, destacando a importância da resistência e da perseverança. Esta obra é um grito de resistência e determinação, refletindo a profundidade e a complexidade da jornada pessoal e coletiva da mulher na sociedade contemporânea.

domingo, 11 de julho de 2021

O que sentimos o que pensamos o que queremos do que gostamos?

terça-feira, 22 de setembro de 2020

inventar você me dá combustível pra olhar pra frente pra olhar pra dentro pra olhar inteiro um olho fechado o outro aberto piscando mais que focando o ponto era quase uma fantasia você veio por trás me pegou no susto era você? não sei. era? não era. era você. não sei foi embora não vi mais nada além do borrão da sua alegoria ou era minha apenas essa única ilusão que restou daquela purpurina pelos seios pela nuca meu hálito quente na sua nuca desnuda desnuca desnunca nunca soube nunca saberei se é possível ao te espelhar os olhos manter a âncora ou virar balão tentar provar que água levita e o fogo te mergulha num precipício desconhecido muitas vezes visitado, inventado e esquecido. 


quarta-feira, 26 de agosto de 2020

DISCONGELO III: Viagem ao Fim do Princípio


DISCONGELO III 


"DISCONGELO III: Viagem ao Fim do Princípio" é a terceira e última obra da trilogia que conclui a exploração dos temas de libertação, transformação e a relação intrínseca entre a artista e as forças da natureza. Mercedes Voluptious fecha a trilogia com uma colagem que traduz sua jornada de autodescoberta, trazendo uma visão final sobre a integração do consciente e do inconsciente.

          Esta obra, rica em simbolismo e meticulosamente composta, sintetiza os elementos visuais e temáticos das duas obras anteriores, ampliando a narrativa da artista.

No centro da composição, vemos um corpo fragmentado, com pernas cobertas de flores vibrantes e uma mão que se estende em direção ao mergulho ao mar gelado. A fragmentação do corpo simboliza a dissolução do antigo eu, permitindo que um novo ser emerja através da integração de múltiplas facetas da experiência humana.

O ambiente surreal mistura elementos naturais e urbano. Esta justaposição sugere um diálogo entre o interior psicológico da artista e o mundo exterior, e também a capacidade construída da Artista se mostrar pro mundo e buscar essa integração com a materialidade.

As pernas floridas sugerem um renascimento contínuo e a exuberância da vida criativa dessa artista que acabou de nascer.

A presença da casa evoca memórias, lugares conhecido e sentimentos de pertencimento, enquanto o Planeta, simboliza novos começos, novos mundos possíveis.

As pernas, mesmo que em repouso, indicam que a Artista chegou até esse ponto através de seus próprios esforços e caminhar artístico e a figura do Monge sentado sobre essas pernas, representa agora uma Mercedes em estado de contemplação dessa nova realidade. É uma reminiscência da viagem interior que a artista percorreu ao longo da trilogia.

A grande mão é o meio pelo qual a artista pode recortar e colar, ou seja, criar suas obras. Ainda que aponte para o fundo do oceano, que é a representação de todo esse mundo onírico e inconsciente que permeia a subjetividade da Artista, essa mão indica o lugar pra onde o mergulho acontece. Essa m]ao, que se estende em um gesto de alcance ou toque, também simboliza a tentativa de conexão com algo além do próprio eu, uma busca por significado e união com o universo.

O mergulhador está ali em pleno movimento do salto de se lançar nesse mar profundo, mas o barco na superfície do mar gelado indica que existe segurança nessa aventura, mesmo que muitas vezes dolorosa ou aterrorizante.

 O texto "VIAGEM AO FIM DO PRINCÍPIO" sugere uma jornada cíclica, onde o fim marca o início de algo novo. A obra também apresenta a palavra "solidão", um reconhecimento da solitude intrínseca à jornada de autoconhecimento da Artista.

"DISCONGELO III" é uma culminação poderosa da jornada de descongelamento de Mercedes Voluptious. A colagem integra elementos de transformação pessoal, introspecção e a busca por conexão com algo maior. A figura fragmentada representa a desintegração das velhas identidades e a reconstrução de um novo eu, mais integrado e consciente. A casa e o planeta simbolizam a união do passado com novas possibilidades de crescimento.

"DISCONGELO III: Viagem ao Fim do Princípio" é uma obra densa e contemplativa que oferece uma conclusão rica e significativa para a trilogia. Mercedes Voluptious, através de Renata Moreno, convida o espectador a refletir sobre suas próprias jornadas de autodescoberta, reconhecendo a importância de integrar todas as partes de si mesmo para alcançar uma transformação completa. A obra serve como um lembrete de que o fim de uma jornada é apenas o começo de outra, e que a busca por autoconhecimento e conexão é um ciclo contínuo.

Com esta obra final, a trilogia "DISCONGELO" se firma como uma meditação visual sobre a experiência dessa Artista, que se descobre Artista durante a Pandemia, e também sobre a própria experiencia humana vivida durante um período de isolamento global, capturando a profundidade e a complexidade da transformação pessoal e coletiva.

DISCONGELO II: A Jornada de Mercedes



"DISCONGELO II" é a segunda obra da trilogia que explora os temas de libertação, transformação e a relação entre a artista e as forças da natureza. Mercedes Voluptious continua a sua narrativa visual com uma complexa colagem que aprofunda a exploração do inconsciente e a transição da estagnação para o movimento, iniciada em "DISCONGELO I".

 

A figura central feminina domina a composição, com um olhar fixo e hipnótico. Seus olhos vermelhos intensos transmitem uma sensação de alerta e simultaneamente introspecção. A cabeça adornada com flores metálicas indica um florescimento criativo, onde ideias e emoções começam a desabrochar de forma vibrante e multidimensional.

O mar ao fundo reforça a conexão com o inconsciente, agora mais presente e expansivo, contrastando com a firmeza das montanhas.

No canto inferior direito, três figuras menores adicionam diferentes camadas na narrativa da Personagem. Uma noiva em vestes translúcidas parece estar em um estado de transe, simbolizando a dissociação emocional vivida no turbilhão da pandemia. O homem encolhido, evoca sentimentos de introspecção e vulnerabilidade perante esse caos que se apresenta, uma figura que tambpem indica fuga dos desesperos do mundo. A figura acima, em queda livre, é a própria Mercedes Voluptious, em um ato de rendição ao desconhecido, um salto de fé no processo de transformação, que é o processo de vida e morte, construção da Artista.

O uso do vermelho, que também aparece em "DISCONGELO I", continua a simbolizar a paixão e a energia que impulsionam a artista em sua jornada de auto-descoberta. Porém aqui existe uma analogia extra, onde a estrela única sobre fundo vermelho faz uma alusão direta à China, ponto de origem da pandemia. As estrelas sob fundo negro simbolizam a noite escura que assombrou a humanidade nesse período ao passo que evocam a vastidão do cosmos e o potencial ilimitado do espírito humano.

O contraste entre os elementos estruturados e os fluidos, o artificial e o natural, cria uma tensão visual que reflete a própria tensão interna da artista entre o conhecido e o desconhecido, o seguro e o arriscado.

 O número 48 no canto inferior esquerdo é uma cifra oculta: o 4, sendo duas vezes o 2, e o 8, que deitado firmariam dois zeros, é uma referência criptografada a 2020, o ano da pandemia. Este detalhe sutil, mas significativo, aninha o tempo histórico dentro da narrativa pessoal da artista.

"DISCONGELO II" aprofunda a exploração do processo de descongelamento iniciado na primeira obra. A figura central, agora mais consciente de seu entorno e de suas emoções, simboliza a evolução de Mercedes Voluptious. As flores metálicas representam ideias cristalizadas que começam a se manifestar no mundo real. O mar expansivo acima das montanhas firma a conexão entre o consciente e o inconsciente, sugerindo que a verdadeira libertação vem da integração desses dois mundos.

As figuras menores introduzem uma narrativa de apoio que reflete as diversas facetas da experiência humana: liberação emocional, introspecção dolorosa e a coragem de se entregar ao desconhecido, um mergulho na incerteza e no caos do período.

"DISCONGELO II" é uma obra densa e profundamente introspectiva que convida o espectador a mergulhar no complexo processo de transformação pessoal. Através de uma colagem habilidosa e simbolicamente rica, Mercedes Voluptious, alter ego de Renata Moreno, nos guia por um caminho de autodescoberta, onde cada elemento visual serve como um passo em direção à libertação total. Esta obra é uma meditação visual sobre o poder do inconsciente e a importância de integrar todas as partes de si mesmo para alcançar a verdadeira transformação.

Com "DISCONGELO II", a trilogia promete continuar a explorar as profundezas da experiência humana, oferecendo ao espectador uma janela para a complexa jornada interna da artista e, por extensão, de cada um de nós. Mesmo em meio ao nascimento e à renovação, Mercedes vive as trevas desse período histórico, navegando pelas águas turbulentas do inconsciente, guiada pela luz da introspecção e da coragem.



DISCONGELO I



O Nascimento de Mercedes

**Obra que inaugura a trilogia DISCONGELO**

"DISCONGELO I" marca o nascimento da colagista Mercedes Voluptious, heterônimo da artista Renata Moreno, e inaugura uma trilogia que explora libertação, transformação e a relação entre a artista e as forças da natureza.

A colagem apresenta uma cena surreal onde uma gaivota suspende uma mulher do pico de uma cadeia de montanhas congeladas, a retirando de uma atmosfera fria e inóspita. Este cenário representa o estado inicial de congelamento, tanto literal quanto metafórico, simbolizando uma fase de estagnação durante a pandemia de 2020.

A figura humana emerge da ponta da montanha gélida, demonstrando ascensão e superação de obstáculos, sinalizando o início de um despertar. A gaivota, com asas abertas, confere à mulher liberdade e uma visão ampla. O mar acima das montanhas sugere que as profundezas do inconsciente superam o chão firme e seguro das montanhas, que, apesar de estáveis, são geladas e desertas.

O contraste entre o fundo vermelho vibrante e a paisagem branca nevada destaca a tensão entre calor e frio, movimento e estagnação, vida e inércia. O vermelho simboliza a nova paixão, energia e força vital descongelando a artista.

"DISCONGELO I" captura a transição crucial da estagnação para o movimento. A figura humana, representando Mercedes Voluptious, começa a se libertar das limitações do passado, explorando novas possibilidades criativas e pessoais. A gaivota, rainha dos mares, é uma guia protetora, encorajando a figura a abraçar liberdade e transformação.

Esta obra não só apresenta o nascimento de Mercedes Voluptious, mas também convida o espectador a refletir sobre suas próprias jornadas de descongelamento. Como podemos nos libertar das nossas barreiras internas e externas? Quais forças nos ajudam a transcender e alcançar novos horizontes?

"DISCONGELO I" é uma poderosa manifestação visual de um momento de despertar e libertação. Através da combinação de elementos naturais e humanos, Renata Moreno, por meio de Mercedes Voluptious, convida o espectador a uma jornada de auto-descoberta e transformação. Esta obra serve como um prelúdio inspirador para a trilogia, que promete explorar a profundidade e complexidade da experiência humana, investigando os rincões do inconsciente para se libertar de padrões limitantes.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

FOI OBRIGATÓRIO ME PERGUNTAR COM QUE PALAVRAS ME COLOCO DIANTE DOS OUTROS E DE MIM MESMA?
Ela foi embora e você age como se ainda estivesse aqui, apegada à ideia do que poderia ter sido. Até quando evocará o poder do passado e o peso das coisas que já existiram? Porque não se liberta das responsabilidades das escolhas e do mistério do caminho não tomado e aproveita a plenitude da sua decisão? 

Seria ótimo se nossos amantes se comportassem da forma como achamos que eles deviam se comportar, e nós pudéssemos nos comportar como bem entendemos, sem que eles se achem no direito de exigir um comportamento por eles estipulado.

Quando perguntas se está tudo bem, porquê ajo estranho, é a tentativa de me manter na superfície, evitando todas as sensações possíveis de serem experimentadas e te poupando de meus respingos lavosos. Não força a barra.

Às vezes vivo na superfície de mim mesma.

Bóio sobre minha existência.

Sabe aquela coisa de alma saindo do corpo e se vendo de fora?

É como se eu não estivesse vivendo o que estou vivendo.

É um outro eu. (?)

Ou são ilusões nebulosas que crio para me fazer crer que não posso ceder às suas tentativas de mudança, quando a realidade nos impõe a efemeridade eterna?

Sempre que tento a auto-análise acabo me auto-sabotando, fato. por exemplo, quando não aceito as constatações de meus maus hábitos. e os chamo de maus não por serem de natureza maléfica, mas por trazerem as tais consequências indesejadas. ah mas eu demoraria uma vida inteira pra reconstruir os maus hábitos que inventei nessa vida até aqui vivida. Como saber qual mal hábito provoca qual consequência? Sabia que depois de descobertos eles se tornam do tamanho que quisermos dar. 

Sinto o tempo passar rasgando as minhas células sem pedir licença. Sem o mínimo de compaixão ou piedade ele age como se nada estivesse fazendo e, na sua fúria serena, só é notado após suas sucessivas investidas contra absolutamente tudo o que encontra à sua frente.

Encontrar uma linha, uma forma mesmo que disforme, de me passar através daqui, de voltar pra onde eu vim, que é pra onde eu vou.

Não me lembro do porquê eu ter saído do caminho. Como quando se pega um atalho que não se conhece, acaba por perder-se e demora mais a chegar onde se queria. Ainda por cima se chega cansada e confusa, sem saber como conseguiu chegar até ali. Onde foi mesmo que o nó se desfez?

Como entrou naquela rua onde deveria estar?

É que não existe a rua onde deveria estar.

O dever ia e o devir vinha.

A lágrima branca escorre pelo pára-choque preto do carro sujo.

No fundo, o azul lilás se funde com o amarelo trigo como a cerveja que o copo esquenta e resfria o corpo cansado de esperar que a boca sedenta venha.

Afrouxar o calo onde o sapato aperta não é opção neste caso.

continue cavando. continue cavando.

QUAL O TAMANHO DA SUA VONTADE?

Eu soltei a mão. Soltei e parei.

De repente foi ficando tudo escuro e silencioso.

Um oceano em uma madrugada sem Lua.

E pude ouvir meu coração. Pulsava o sangue vermelho, vivo, se espalhando por cada canto do meu corpo. Meus pés e pernas se mexiam com dificuldade, eu não conseguia sair do lugar. Flutuava numa substância densa e viscosa. Um oceano morno. Não conseguia respirar ali.

Como sair dessa areia movediça?

Era a primeira vez que só me restava eu mesma.

Movimento contínuo, cíclico, com ordem rítmica e tempo preciso, marcando o compasso no passo do marcapasso. tunt tunt tunt. Dar corda na caixinha que volta a rodar num movimento contínuo, cíclico, com ordem rítmica e tempo preciso, marcando o compasso no passo do marcapasso. tunt tunt tunt.

costurando retalhos,

ralho,

gralho.

É possível se deixar tocar sem se afetar? Sem se perder de si?

Até onde devemos ir no outro? Até onde deixamos entrar?

Desperto para os limites que tentamos construir entre nós.

Você pula meu muro, eu arrombo seu portão e por favor, apague as fitas de segurança.

o contínuo restolhar

sob a ótica proxêmica

não nos garante permanência.

se naïf ou pós modernista

ritmo e poesia na leitura realista

as alegorias folclóricas da passista

são escravas do outro e seu olhar niilista.

não respeita minhas metalepses,

adiante com sua idiossincrasia

minha personalidade furta cor

me permite ser uma a cada dia

E eu assim:

quando de seios inchados,

o peito farto.

Nas variáveis de nós mesmos deixamos escapar o que deveríamos tentar alterar. Há algo em comum nas entrelinhas do desenrolar de nossas vidas que se torna a pedra fundamental de nós mesmos. Ainda que com a constante mudança dos outros e dos sis, a dinâmica se repete, segue sua lógica própria, muito difícil de ser explicadamente compreendida.

Sinto que fica tudo engasgado. Interrompido. Tampa no ralo. Eu vejo a ponta da correntinha da tampa do ralo. Puxa essa corrente, deixa a água escoar. Suja, das sujeiras das minhas mãos, das suas mãos. Nossas sujeiras serão lavadas e levadas pelo ralo. Esse entalado do que não disse. Te amo pelo que você é. Sempre te amarei mas não permito que vaze tal amor desvairado. Amor pelas leviandades dessa dita loucura. Desculpa pra estraçalhar parâmetros, romper com relações mal feitas, insinceras e desgastadas. Bebo em tua loucura e faço deste lugar nossa única viabilidade de existência em um cenário pós-guerra.

E as palavras a escorrer dos meus ouvidos.

Porque tanto tempo nos calando?,

esse guardião travestido de mulher.

acessar com a alma, com verdade, inteira, entregue.

Quem eu sou?, quem fui?, quem serei?

Acreditar nos meus devaneios.

Nessa voz incessante a dizer: - VAI!

Me jogar de cabeça nessa aventura.

Inventar nomes, inventar mundos.

Promover encontros e demonstrar a força contida em cada um deles.

Sair do "algo a dizer", simplesmente dizer.

Nem sempre você vai encontrar as palavras mais bonitas e contundentes para expressar o que sente e pensa.

Muitas vezes você se perde nesse emaranhado de prolixidade e no meio do discurso já não sabe para onde estava indo.

para onde vão os pensamentos que fogem?

para onde vão os pensamentos que fogem?

para onde vão os pensamentos que fogem?