quarta-feira, 26 de agosto de 2020

DISCONGELO II: A Jornada de Mercedes



"DISCONGELO II" é a segunda obra da trilogia que explora os temas de libertação, transformação e a relação entre a artista e as forças da natureza. Mercedes Voluptious continua a sua narrativa visual com uma complexa colagem que aprofunda a exploração do inconsciente e a transição da estagnação para o movimento, iniciada em "DISCONGELO I".

 

A figura central feminina domina a composição, com um olhar fixo e hipnótico. Seus olhos vermelhos intensos transmitem uma sensação de alerta e simultaneamente introspecção. A cabeça adornada com flores metálicas indica um florescimento criativo, onde ideias e emoções começam a desabrochar de forma vibrante e multidimensional.

O mar ao fundo reforça a conexão com o inconsciente, agora mais presente e expansivo, contrastando com a firmeza das montanhas.

No canto inferior direito, três figuras menores adicionam diferentes camadas na narrativa da Personagem. Uma noiva em vestes translúcidas parece estar em um estado de transe, simbolizando a dissociação emocional vivida no turbilhão da pandemia. O homem encolhido, evoca sentimentos de introspecção e vulnerabilidade perante esse caos que se apresenta, uma figura que tambpem indica fuga dos desesperos do mundo. A figura acima, em queda livre, é a própria Mercedes Voluptious, em um ato de rendição ao desconhecido, um salto de fé no processo de transformação, que é o processo de vida e morte, construção da Artista.

O uso do vermelho, que também aparece em "DISCONGELO I", continua a simbolizar a paixão e a energia que impulsionam a artista em sua jornada de auto-descoberta. Porém aqui existe uma analogia extra, onde a estrela única sobre fundo vermelho faz uma alusão direta à China, ponto de origem da pandemia. As estrelas sob fundo negro simbolizam a noite escura que assombrou a humanidade nesse período ao passo que evocam a vastidão do cosmos e o potencial ilimitado do espírito humano.

O contraste entre os elementos estruturados e os fluidos, o artificial e o natural, cria uma tensão visual que reflete a própria tensão interna da artista entre o conhecido e o desconhecido, o seguro e o arriscado.

 O número 48 no canto inferior esquerdo é uma cifra oculta: o 4, sendo duas vezes o 2, e o 8, que deitado firmariam dois zeros, é uma referência criptografada a 2020, o ano da pandemia. Este detalhe sutil, mas significativo, aninha o tempo histórico dentro da narrativa pessoal da artista.

"DISCONGELO II" aprofunda a exploração do processo de descongelamento iniciado na primeira obra. A figura central, agora mais consciente de seu entorno e de suas emoções, simboliza a evolução de Mercedes Voluptious. As flores metálicas representam ideias cristalizadas que começam a se manifestar no mundo real. O mar expansivo acima das montanhas firma a conexão entre o consciente e o inconsciente, sugerindo que a verdadeira libertação vem da integração desses dois mundos.

As figuras menores introduzem uma narrativa de apoio que reflete as diversas facetas da experiência humana: liberação emocional, introspecção dolorosa e a coragem de se entregar ao desconhecido, um mergulho na incerteza e no caos do período.

"DISCONGELO II" é uma obra densa e profundamente introspectiva que convida o espectador a mergulhar no complexo processo de transformação pessoal. Através de uma colagem habilidosa e simbolicamente rica, Mercedes Voluptious, alter ego de Renata Moreno, nos guia por um caminho de autodescoberta, onde cada elemento visual serve como um passo em direção à libertação total. Esta obra é uma meditação visual sobre o poder do inconsciente e a importância de integrar todas as partes de si mesmo para alcançar a verdadeira transformação.

Com "DISCONGELO II", a trilogia promete continuar a explorar as profundezas da experiência humana, oferecendo ao espectador uma janela para a complexa jornada interna da artista e, por extensão, de cada um de nós. Mesmo em meio ao nascimento e à renovação, Mercedes vive as trevas desse período histórico, navegando pelas águas turbulentas do inconsciente, guiada pela luz da introspecção e da coragem.



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