quarta-feira, 26 de agosto de 2020

DISCONGELO III: Viagem ao Fim do Princípio


DISCONGELO III 


"DISCONGELO III: Viagem ao Fim do Princípio" é a terceira e última obra da trilogia que conclui a exploração dos temas de libertação, transformação e a relação intrínseca entre a artista e as forças da natureza. Mercedes Voluptious fecha a trilogia com uma colagem que traduz sua jornada de autodescoberta, trazendo uma visão final sobre a integração do consciente e do inconsciente.

          Esta obra, rica em simbolismo e meticulosamente composta, sintetiza os elementos visuais e temáticos das duas obras anteriores, ampliando a narrativa da artista.

No centro da composição, vemos um corpo fragmentado, com pernas cobertas de flores vibrantes e uma mão que se estende em direção ao mergulho ao mar gelado. A fragmentação do corpo simboliza a dissolução do antigo eu, permitindo que um novo ser emerja através da integração de múltiplas facetas da experiência humana.

O ambiente surreal mistura elementos naturais e urbano. Esta justaposição sugere um diálogo entre o interior psicológico da artista e o mundo exterior, e também a capacidade construída da Artista se mostrar pro mundo e buscar essa integração com a materialidade.

As pernas floridas sugerem um renascimento contínuo e a exuberância da vida criativa dessa artista que acabou de nascer.

A presença da casa evoca memórias, lugares conhecido e sentimentos de pertencimento, enquanto o Planeta, simboliza novos começos, novos mundos possíveis.

As pernas, mesmo que em repouso, indicam que a Artista chegou até esse ponto através de seus próprios esforços e caminhar artístico e a figura do Monge sentado sobre essas pernas, representa agora uma Mercedes em estado de contemplação dessa nova realidade. É uma reminiscência da viagem interior que a artista percorreu ao longo da trilogia.

A grande mão é o meio pelo qual a artista pode recortar e colar, ou seja, criar suas obras. Ainda que aponte para o fundo do oceano, que é a representação de todo esse mundo onírico e inconsciente que permeia a subjetividade da Artista, essa mão indica o lugar pra onde o mergulho acontece. Essa m]ao, que se estende em um gesto de alcance ou toque, também simboliza a tentativa de conexão com algo além do próprio eu, uma busca por significado e união com o universo.

O mergulhador está ali em pleno movimento do salto de se lançar nesse mar profundo, mas o barco na superfície do mar gelado indica que existe segurança nessa aventura, mesmo que muitas vezes dolorosa ou aterrorizante.

 O texto "VIAGEM AO FIM DO PRINCÍPIO" sugere uma jornada cíclica, onde o fim marca o início de algo novo. A obra também apresenta a palavra "solidão", um reconhecimento da solitude intrínseca à jornada de autoconhecimento da Artista.

"DISCONGELO III" é uma culminação poderosa da jornada de descongelamento de Mercedes Voluptious. A colagem integra elementos de transformação pessoal, introspecção e a busca por conexão com algo maior. A figura fragmentada representa a desintegração das velhas identidades e a reconstrução de um novo eu, mais integrado e consciente. A casa e o planeta simbolizam a união do passado com novas possibilidades de crescimento.

"DISCONGELO III: Viagem ao Fim do Princípio" é uma obra densa e contemplativa que oferece uma conclusão rica e significativa para a trilogia. Mercedes Voluptious, através de Renata Moreno, convida o espectador a refletir sobre suas próprias jornadas de autodescoberta, reconhecendo a importância de integrar todas as partes de si mesmo para alcançar uma transformação completa. A obra serve como um lembrete de que o fim de uma jornada é apenas o começo de outra, e que a busca por autoconhecimento e conexão é um ciclo contínuo.

Com esta obra final, a trilogia "DISCONGELO" se firma como uma meditação visual sobre a experiência dessa Artista, que se descobre Artista durante a Pandemia, e também sobre a própria experiencia humana vivida durante um período de isolamento global, capturando a profundidade e a complexidade da transformação pessoal e coletiva.

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