"DISCONGELO III: Viagem
ao Fim do Princípio" é a terceira e última obra da trilogia que conclui a
exploração dos temas de libertação, transformação e a relação intrínseca entre
a artista e as forças da natureza. Mercedes Voluptious fecha a trilogia com uma
colagem que traduz sua jornada de autodescoberta, trazendo uma visão final
sobre a integração do consciente e do inconsciente.
Esta obra, rica em simbolismo e meticulosamente composta,
sintetiza os elementos visuais e temáticos das duas obras anteriores, ampliando
a narrativa da artista.
No
centro da composição, vemos um corpo fragmentado, com pernas cobertas de flores
vibrantes e uma mão que se estende em direção ao mergulho ao mar gelado. A
fragmentação do corpo simboliza a dissolução do antigo eu, permitindo que um
novo ser emerja através da integração de múltiplas facetas da experiência
humana.
O
ambiente surreal mistura elementos naturais e urbano. Esta justaposição sugere
um diálogo entre o interior psicológico da artista e o mundo exterior, e também
a capacidade construída da Artista se mostrar pro mundo e buscar essa
integração com a materialidade.
As
pernas floridas sugerem um renascimento contínuo e a exuberância da vida
criativa dessa artista que acabou de nascer.
A
presença da casa evoca memórias, lugares conhecido e sentimentos de
pertencimento, enquanto o Planeta, simboliza novos começos, novos mundos possíveis.
As pernas,
mesmo que em repouso, indicam que a Artista chegou até esse ponto através de
seus próprios esforços e caminhar artístico e a figura do Monge sentado sobre
essas pernas, representa agora uma Mercedes em estado de contemplação dessa nova
realidade. É uma reminiscência da viagem interior que a artista percorreu ao
longo da trilogia.
A
grande mão é o meio pelo qual a artista pode recortar e colar, ou seja, criar
suas obras. Ainda que aponte para o fundo do oceano, que é a representação de
todo esse mundo onírico e inconsciente que permeia a subjetividade da Artista,
essa mão indica o lugar pra onde o mergulho acontece. Essa m]ao, que se estende
em um gesto de alcance ou toque, também simboliza a tentativa de conexão com
algo além do próprio eu, uma busca por significado e união com o universo.
O
mergulhador está ali em pleno movimento do salto de se lançar nesse mar
profundo, mas o barco na superfície do mar gelado indica que existe segurança
nessa aventura, mesmo que muitas vezes dolorosa ou aterrorizante.
O texto "VIAGEM AO FIM DO PRINCÍPIO"
sugere uma jornada cíclica, onde o fim marca o início de algo novo. A obra
também apresenta a palavra "solidão", um reconhecimento da solitude
intrínseca à jornada de autoconhecimento da Artista.
"DISCONGELO
III" é uma culminação poderosa da jornada de descongelamento de Mercedes
Voluptious. A colagem integra elementos de transformação pessoal, introspecção
e a busca por conexão com algo maior. A figura fragmentada representa a
desintegração das velhas identidades e a reconstrução de um novo eu, mais
integrado e consciente. A casa e o planeta simbolizam a união do passado com
novas possibilidades de crescimento.
"DISCONGELO
III: Viagem ao Fim do Princípio" é uma obra densa e contemplativa que
oferece uma conclusão rica e significativa para a trilogia. Mercedes
Voluptious, através de Renata Moreno, convida o espectador a refletir sobre
suas próprias jornadas de autodescoberta, reconhecendo a importância de
integrar todas as partes de si mesmo para alcançar uma transformação completa.
A obra serve como um lembrete de que o fim de uma jornada é apenas o começo de
outra, e que a busca por autoconhecimento e conexão é um ciclo contínuo.
Com esta obra final, a trilogia "DISCONGELO" se firma como uma meditação visual sobre a experiência dessa Artista, que se descobre Artista durante a Pandemia, e também sobre a própria experiencia humana vivida durante um período de isolamento global, capturando a profundidade e a complexidade da transformação pessoal e coletiva.

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