segunda-feira, 25 de julho de 2011

Nesta teia de mentiras que nos prendemos as duas são os mosquitinhos, e a aranha não está nem aí pros nossos agonizantes movimentos, que nos empurra ainda mais pro nosso fim.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Como tornar real a habilidade de trazer à tona a avalanche de pensamentos concadenados no momento em que se deseja. Aquele quando se tem a vontade de nãodesgrudaracanetadopapelnemmesmoparadasespaçoàspalavras com medo que saiam voando por aí, se percam num labirinto sem volta ou simplesmente derretam sob chuva de lágrimas.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A irmã dizia pra outra o tempo todo que queria ser médica, mas tinha pavor de sangue escorredo pelo nariz. Morria de aflição quando o dente mole estava prestes a cair, e achava aquelas roupas brancas um tanto quanto macabras. Talvez ela quisesse paracer corajosa perante a irmã, como se o medo e o nojo e a repulsa fossem só de brincadeira, que no fundo ela não tinha nenhuma dessas frescuras e podia muito bem ser uma ótima médica. Ou, quem sabe, ela era mesmo corajosa e colocava as frescuras na frente pra que a irmãzinha pudesse se sentir maior e mais forte que ela quando a encorajava a superar os medos? Quantas possibilidades de causa existem em uma ação?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

o peito abre-se em canto.
tanto o canto cantado e por si só encantado quanto o canto onde as margens se encontram formando o recanto que você pode ter enquanto encanto.

domingo, 26 de junho de 2011

soltar as amarras da preguiça. enxergar o caminho do querer. soltar os pés no abismo. rolar os dados. apostar em mim.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

que esse zelo
se transforme em terço
que eu faça dele um berço
onde adormeço

no seu coração
crie meu endereço
então, com você, eu cresço
em um novo lugar onde mereço

dentro de um abraço 
um laço

terça-feira, 24 de maio de 2011

quando você foi sincera 
e se segurou
me mostrou o que já sabia,
não devemos nos permitir
esse tipo de dor no peito.

não deixamos que o outro
manifeste o indesejo.
deixa vir o indesejo,
não rejeite o indesejo.

depois que ele passa sobressai o oposto
o que realmente queremos
e por bobeira, descuido ou covardia
mantemos escondido
pra deixar sair os monstros
e o que os outros acham ruim.
mesmo que pra mostrar o que não gostamos.

desconforto esse estar voltando
a esperar que algo de fora
venha me tirar desse silêncio
que não sabe dizer
a verdade,
sabe o que dizer
diz sem querer
e tudo o que diz
é pra causar um efeito
no outro
e não pra liberar os dizeres.