sábado, 11 de julho de 2020

Em ímpetos de protesto, tentativa rebelde de dissolução dessa instiuição neurótica, onde ninguém siscuta, ninguém sifala, ninguém sinxerga, respondo naquela moeda que sempre é a troca vivida nos vai e vens da memória infantil (lizada?). Vivenciamos desde muito cedo o abandono dos anseios da alma, nebulosas das quais nascem os sofrimentos primários, mães e pais de todos os outros sofrimentinhos que percorrerão os dias e as noites. Até agora sigo tentando lavar essa poeira gordurosa que dificulta os sentidos e a percepção dos mundos de dentro e de fora. O perigo de acostumar-se ao abandono é a infalível repetição infinita dessa lógica nos relacionamentos e consigo. AUTUÁBANDONO. Como é mesmo sentir? É preciso trazer às vísceras o que martela as vozes-pensamento.

assombros assobradados



nas casas assombradas
as portas rangem quando se abrem
talvez por isso
algumas nunca sejam abertas
ou quase nunca

fica à espreita, espiando o momento calhar e torcendo que o movimento seja preciso suficiente pro menor ranger possível dessa porta acostumada a esconder assombros evitados a todo custo.
uma vez abertas as portas de onde eles moram haveria que lhes dar nomes, e causas, e porquês e pra ondes.
talvez por isso as portas rangessem tanto

a casa assobradada
ela tem cheiro de pão quentinho
e de grama molhada em dia de chuva,
aquele sonho que todo mundo deve ter,
tem colorido por toda parte e um pouco de bagunça,
sempre

invento casa
invento sótão e porão
inventos as memórias que
constroem meu desejo
e, depois, tento desinventar
o troço fica agarrado aqui na ponta do dedo
ou da língua, sei lá
como o chiclete colado no cabelo
põe gelo, põe gelo
difícil tirar

segunda-feira, 29 de junho de 2020

terça-feira, 24 de março de 2020

empreender uma jornada vanguardista em minha própria vida me leva a algum momento duvidar de mim mesma. caio em pretextos auto indulgentes para justificar minha auto sabotagem.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Rock AO VIVO.
Sapatão solitária à direita.
Sapatão solitária à dentro.
Todos me olham, e não é com cara de que viram ET.
Eu gosto de ser olhada, só não sabia disso.
Gosto até da cacura solitária me olhando enquanto gira o canudo no copo com a ponta dos dedos e aperta os olhos através da lente embaçada, dos óculos sujos pelas mesmas pontas dos dedos que ela imagina me penetrar enquanto eu escrevo no meu pequeno caderno preto.
As lâmpadas enroladas na copa da árvore camuflam a lua crescente que mesmo disfarçada tenta nos seduzir.
Abençoados aos que cedem aos seus encantos.
Selfies sorridentes por todos os cantos de bocas falsos camuflam a solidão disfarçada.


São as crianças e os animais que sempre me fazem sorrir.
Sorrio de volta.
Faço carinho em cachorro de rua, solitários somos, cadelas vadias nas ruas, nas noites.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Sonhei que visitava um local que ficava em uma floresta. Na entrada da trilha que dava acesso à casa, tinha um pórtico todo com eucaliptos. Tinha como símbolo uma borboleta e era liderada por uma anciã. Fui recebida por ela com muita alegria com um largo sorriso de boas-vindas. Às 5:05 acordei com suas palavras ressoando na memória: seja bem-vinda ao centro intensivo metamorfoseador.

domingo, 14 de abril de 2019

Sonhei com um cavalo preto.  Ele tinha algo nos olhos. Achei que chorava. Era uma placa de lágrima condensada atrás da retina.