quarta-feira, 25 de julho de 2012

Iludiram-se de promessas vãs e se prometeram cuidados despretensiosos. Pretendiam carinhos infindos, se acariciaram sem entrega e  se entregaram sem verdade. Juraram mentiras e presentearam-se de mágoas mútuas. Ambas derreteram-se em arrependimentos e agarraram-se a ressentimentos, alheias aos próprios feitos. Agora, já desfeitas do compromissos e desapegadas do que teriam sido e do que pensavam que eram, não se fizeram grandes como sonhavam e tornaram-se torturas do tempo.
Meto as mãos nessa espessa argamassa acreditando ser capaz de ali imprimir minhas digitais e por hora esqueço que as mesmas, já gastas, não modelam o corpo alheio com a desenvoltura de outrora.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Será que por ficar pensando em você me engano?
Amo porque penso ou penso porque amo?
E esse sentido de onde vem?
Será que ela sente mesmo? Será que não é o fingir da atriz?
Mas se for atriz essa também não sente quando atua?
Qual a diferença entre sentir e sentir?
O que faz o meu sentir mais ou menos real do que o dela, que o seu, que o sentir de qualquer um?
Todo mundo finge.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

E vou sonhando e vou vivendo e já não tenho interesse em separar um do outro. O limite entre o que pensamos que é, com o que é de verdade, não me interessa pois que até as verdades não são tão verdadeiras assim. Prefiro me meter a sonhar e a achar que o sonho que vivo é a vida que sonho.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

E foi acordada pela voz que dizia: "Ponto final mocinha. Você deve descer aqui." Ela olhou em volta, ainda embriagada pelo sono, e constatou que não tinha idéia de onde estava. Não se lembrava de seu sonhos. Como se não bastasse estar completamente perdida, tinha a sensação de habitar o sonho de outrem. Perguntou ao condutor onde estavam e ele respondeu que no ponto final do 35. 35? Ficou tentando lembrar de quando pegou o ônibus. Não tinha mais certeza se, quando viu chegar o ônibus, era o número 38 mesmo que vira por engano, achou que fosse seu velho 38 de sempre... ou se lera 35 mas entrou nele mesmo assim porque o 38 a levaria para o mesmo lugar de sempre e ela ansiava por algo novo em sua vida medíocre. O fato era que ali estava e agora não adiantava choramingar. A atitude fora tomada, consciente ou não, e ela percebeu a grande oportunidade que estava à sua frente.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

E quando de olhos fechados a retina foca na escuridão, vejo o futuro e suas três mil possibilidades.
Querer esquecer é um apego às lembranças porque o esquecer se dá no que já não mais importa ou sequer importou um dia. O saudável não é esquecer mas lembrar tanto que torna-se impossível querer retornar àquilo. Lembrar apenas do nosso bom contem em si toda a grandeza do nosso amor. Mas para todo bem há um mal em igual proporção e o nosso mal fugiu da gaiola e tomou dimensões deveras danosas.